Seleção5 min de leitura·11 de junho de 2026

Laterais: uma dor de cabeça para Ancelotti na Seleção Brasileira

O Brasil chega à Copa de 2026 com escassez de laterais de alto nível. Entenda os desafios de Ancelotti e os cenários possíveis para a posição.


Laterais: uma dor de cabeça para Ancelotti na Seleção Brasileira

Historicamente, a lateral sempre foi uma posição de referência no futebol brasileiro. De Roberto Carlos a Cafu, de Marcelo a Daniel Alves, o Brasil produziu alguns dos maiores laterais da história do futebol mundial — jogadores que eram protagonistas em seus clubes e na Seleção, capazes de decidir partidas com lances ofensivos memoráveis. No entanto, o cenário atual é radicalmente diferente. Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, Carlo Ancelotti enfrenta um dos seus maiores desafios à frente da Seleção Brasileira: encontrar laterais confiáveis para disputar o torneio nos Estados Unidos, México e Canadá.

A escassez de opções consolidadas na posição não é um problema novo, mas ganhou contornos ainda mais preocupantes com a lesão de Wesley, jogador que vinha sendo testado justamente por seu perfil mais ofensivo — característica que poderia dar ao time brasileiro uma alternativa diferente do que tem sido apresentado nos últimos convocações.

O declínio de uma tradição brasileira

Por décadas, o Brasil foi sinônimo de laterais de elite. A escola brasileira de laterais ofensivos era admirada e copiada no mundo inteiro. Roberto Carlos, com seu canhão de perna esquerda, e Cafu, o Capitão do Penta, formaram provavelmente a dupla de laterais mais icônica da história das Copas do Mundo. Mais recentemente, Daniel Alves e Marcelo mantiveram essa tradição viva, sendo titulares absolutos em clubes como Barcelona e Real Madrid.

Contudo, após a aposentadoria dessa geração, o Brasil passou a enfrentar uma lacuna significativa na posição. Nos últimos ciclos de Copa, a lateral já não era mais um ponto forte da Seleção, e agora, às vésperas do Mundial de 2026, o problema se intensificou.

Ancelotti, desde que assumiu o comando da equipe, testou diversos jogadores na posição. A busca por uma formação ideal nas laterais passou por nomes variados, mas nenhum se firmou como solução definitiva. A constante rotação de atletas nesse setor do campo evidencia a dificuldade do treinador italiano em encontrar peças que combinem solidez defensiva com capacidade ofensiva — equilíbrio que historicamente caracterizou os laterais brasileiros.

A perda de Wesley e o impacto tático

A lesão de Wesley representou um golpe significativo nos planos de Ancelotti. Entre as opções testadas, ele era o jogador com perfil mais ofensivo, capaz de dar profundidade pelo corredor e oferecer alternativas no último terço do campo. Sua ausência não é apenas numérica — ela limita taticamente o que a Seleção pode fazer pelas laterais.

Sem um lateral com características mais agudas no ataque, o Brasil corre o risco de se tornar previsível na construção ofensiva. Adversários bem organizados podem se concentrar em fechar os espaços centrais, sabendo que as laterais brasileiras não oferecem o mesmo perigo que ofereciam em gerações anteriores.

Essa limitação obriga Ancelotti a buscar soluções criativas. Entre os cenários possíveis, estão:

  • Adaptação de jogadores de outras posições: alas ou meias com características defensivas podem ser deslocados para a lateral, como já aconteceu em outras seleções pelo mundo.
  • Priorização da segurança defensiva: optar por laterais mais conservadores e compensar a falta de profundidade pelos lados com maior participação dos meias e pontas.
  • Mudança de esquema tático: sistemas com três zagueiros e alas (como o 3-5-2 ou 3-4-3) podem disfarçar a carência na lateral convencional, utilizando jogadores com perfil diferente.
  • Aposta em jovens menos testados: convocar laterais que ainda não tiveram muitas oportunidades, mas que vêm se destacando em seus clubes, mesmo que isso signifique assumir um risco maior.

O que esperar de Ancelotti para a Copa de 2026

Com a experiência acumulada em décadas de futebol europeu, Ancelotti é um treinador que sabe lidar com limitações de elenco. No Real Madrid, por exemplo, ele frequentemente adaptou jogadores e esquemas para tirar o máximo do que tinha à disposição. Essa capacidade de improviso pode ser decisiva para a Seleção Brasileira.

É importante ressaltar que a Copa do Mundo de 2026 ainda não começou, e Ancelotti terá tempo para avaliar cenários, testar alternativas e, eventualmente, encontrar uma solução que funcione. A recuperação de Wesley, caso evolua positivamente, também pode mudar o panorama. Além disso, o futebol é dinâmico — novos nomes podem surgir nas ligas europeias e no futebol brasileiro nos próximos meses.

Outro ponto relevante é que a fragilidade nas laterais não é exclusividade do Brasil. Diversas seleções de ponta chegam a Copas do Mundo com posições menos guarnecidas e encontram maneiras de compensar essas lacunas coletivamente. A Itália campeã da Euro 2020 (disputada em 2021), por exemplo, não tinha laterais considerados de elite mundial, mas funcionava como um sistema coeso que minimizava fragilidades individuais.

O fator experiência de Ancelotti

Se há um técnico preparado para resolver quebra-cabeças táticos, esse técnico é Carlo Ancelotti. Com títulos de Champions League, campeonatos nacionais em diferentes países e uma carreira que atravessa gerações, o italiano tem bagagem para encontrar caminhos mesmo diante de adversidades.

Sua chegada à Seleção Brasileira trouxe uma abordagem mais pragmática e organizada, contrastando com o estilo historicamente mais ofensivo do futebol brasileiro. Esse pragmatismo pode ser, paradoxalmente, o que ajuda a minimizar o problema nas laterais: se o time for bem organizado defensivamente e eficiente nas transições, a necessidade de laterais ultra-ofensivos diminui.

Ainda assim, a torcida brasileira, acostumada com laterais que eram verdadeiros diferenciais, pode estranhar uma Seleção mais contida pelos corredores. Será um exercício de adaptação para todos — comissão técnica, jogadores e torcedores.

Conclusão

A carência de laterais de alto nível é, sem dúvida, uma das maiores preocupações da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026. A lesão de Wesley agravou um cenário que já era delicado, e Ancelotti precisará usar toda a sua experiência para encontrar soluções viáveis. No entanto, o futebol reserva surpresas, e ainda há tempo para que novos nomes apareçam ou que ajustes táticos compensem as limitações individuais. Acompanhe nosso blog para ficar por dentro de todas as novidades da Seleção Brasileira e da preparação para o Mundial — a convocação definitiva de Ancelotti promete ser uma das mais debatidas dos últimos anos.

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