Copa 20265 min de leitura·08 de junho de 2026

Tetra aponta como Ancelotti deve aproveitar Neymar na Copa 2026

Paulo Sérgio, campeão em 94, explica como Ancelotti pode usar a experiência de Neymar na Copa 2026 para ajudar jovens e aliviar pressão sobre Vini Jr.


Paulo Sérgio vê Neymar como peça-chave de experiência para a Copa 2026

A preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México, segue gerando debates intensos entre torcedores, jornalistas e ex-jogadores. Um dos temas mais recorrentes é o papel que Neymar pode desempenhar sob o comando de Carlo Ancelotti. Em entrevista à Gazeta Esportiva, o tetracampeão Paulo Sérgio — que fez parte do elenco vitorioso em 1994 — deu sua visão sobre como o treinador italiano deve aproveitar o camisa 10.

Segundo Paulo Sérgio, Neymar pode ser muito mais do que um jogador em campo. Para o ex-atleta, a experiência acumulada pelo craque em três edições de Copa do Mundo (2014, 2018 e 2022) o transforma em uma referência natural para o grupo, especialmente para os jogadores mais jovens que devem compor o elenco convocado por Ancelotti.

"Pode ajudar muito", afirmou o tetracampeão, ressaltando que a presença de um veterano como Neymar no vestiário tem um peso que vai além das estatísticas e dos números dentro de campo.

A lição do tetra de 1994: quando a experiência corrigiu os erros do passado

Paulo Sérgio fez questão de traçar um paralelo com a conquista do tetracampeonato mundial, em 1994, nos Estados Unidos. Naquela ocasião, a Seleção Brasileira carregava o trauma da eliminação precoce na Copa de 1990, na Itália, quando o time comandado por Sebastião Lazaroni caiu nas oitavas de final diante da Argentina.

Para o ex-jogador, a presença de atletas que haviam vivido a decepção de 1990 — como Mauro Silva, Jorginho e o próprio capitão Dunga — foi determinante para que a equipe de Carlos Alberto Parreira mantivesse o foco e a disciplina ao longo de todo o torneio de 1994. Esses jogadores sabiam exatamente o que não podia se repetir e transmitiram essa mentalidade aos mais novos do grupo.

A analogia com o cenário atual é direta: Neymar viveu a pressão de ser protagonista em casa na Copa de 2014, sofreu uma lesão que o tirou da semifinal contra a Alemanha (o fatídico 7 a 1), liderou o ataque em 2018 na Rússia e esteve presente no Catar em 2022, quando o Brasil foi eliminado nos pênaltis pela Croácia nas quartas de final. Essa bagagem, segundo Paulo Sérgio, é insubstituível.

"Quando você tem alguém que já passou por tudo isso, que sabe o que é a pressão de uma Copa, isso muda o ambiente. Os mais jovens olham para aquele cara e se sentem mais seguros", resumiu o tetracampeão.

Alívio de pressão para Vinicius Júnior e Raphinha

Outro ponto destacado por Paulo Sérgio diz respeito ao impacto que a presença de Neymar pode ter sobre nomes como Vinicius Júnior e Raphinha. Ambos devem chegar à Copa de 2026 como peças centrais do esquema tático de Ancelotti, e naturalmente carregarão enorme expectativa por parte da torcida e da imprensa.

Vinicius Júnior, que se consolidou como um dos melhores jogadores do mundo atuando pelo Real Madrid, terá a responsabilidade de ser o principal nome ofensivo da Seleção. Raphinha, por sua vez, vem desempenhando papel de destaque no Barcelona e na própria equipe nacional ao longo das Eliminatórias.

Para Paulo Sérgio, ter Neymar no grupo pode dividir os holofotes de maneira saudável. A atenção midiática que o camisa 10 naturalmente atrai pode funcionar como um escudo para os demais jogadores, permitindo que Vini Jr., Raphinha e outros talentos foquem exclusivamente no desempenho dentro de campo, sem o peso de serem os únicos alvos da cobrança popular.

Esse tipo de dinâmica não é novidade no futebol. Em 2002, por exemplo, a presença de Ronaldo — que voltava de uma grave lesão no joelho e carregava o drama da final de 1998 — ajudou a tirar parte da pressão de Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo, que puderam jogar com mais liberdade ao lado do Fenômeno.

O papel de mentor para as novas promessas

Além da questão tática e da distribuição de pressão, Paulo Sérgio também abordou o aspecto formativo que Neymar pode exercer. A Seleção Brasileira vem revelando jovens talentos que podem ganhar espaço no elenco da Copa de 2026, como Endrick, Savinho e Estêvão, entre outros nomes que têm se destacado em seus clubes.

Para esses jogadores, que possivelmente estarão disputando sua primeira Copa do Mundo, conviver diariamente com alguém que acumula mais de 120 jogos pela Seleção e é o maior artilheiro da história do Brasil pode ser transformador. Neymar conhece como poucos a rotina de uma competição desse porte: a concentração prolongada, a pressão dos jogos eliminatórios, a gestão emocional nos momentos decisivos.

O tetracampeão acredita que Ancelotti, com sua vasta experiência em gestão de elencos estrelados no Real Madrid, Bayern de Munique, Milan e outros gigantes europeus, tem perfil ideal para administrar essa convivência entre gerações. O treinador italiano é reconhecido justamente pela capacidade de manter vestiários harmoniosos e extrair o melhor de cada jogador, independentemente da idade ou do status.

Questões físicas e a incógnita sobre a condição de Neymar

É importante ressaltar que, apesar do otimismo de Paulo Sérgio, a condição física de Neymar segue sendo uma incógnita relevante. O jogador enfrentou problemas sérios de lesão nos últimos anos, incluindo a grave lesão no joelho sofrida em outubro de 2023, que o afastou dos gramados por um longo período.

A convocação de Neymar para a Copa de 2026 ainda não é um fato consumado. Tudo dependerá de como o atacante estará fisicamente nos meses que antecedem o torneio e das escolhas táticas que Ancelotti fará para montar seu elenco. O que Paulo Sérgio defende é que, caso esteja em condições, Neymar deve ser aproveitado — mesmo que não seja como titular absoluto.

A ideia de utilizar um craque veterano em um papel diferente do protagonismo total não é inédita. Na Copa de 2006, Zinedine Zidane voltou à Seleção Francesa após uma aposentadoria temporária e foi fundamental na campanha que levou a França à final. Em 2014, a Alemanha campeã contava com Miroslav Klose, então com 36 anos, como opção de experiência no ataque.

O que esperar da Seleção sob Ancelotti

Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, as discussões sobre o elenco e a estratégia da Seleção Brasileira tendem a se intensificar. A opinião de Paulo Sérgio reforça uma corrente de pensamento que valoriza não apenas o talento individual, mas a inteligência coletiva e a gestão de grupo como fatores decisivos em um torneio de seleções.

Ancelotti terá o desafio de equilibrar a renovação natural do elenco com a manutenção de jogadores experientes que possam oferecer suporte emocional e técnico. Se Neymar estiver disponível e em boas condições, tudo indica que ele pode cumprir exatamente esse papel que Paulo Sérgio descreveu: uma referência dentro e fora de campo, capaz de aliviar a pressão sobre os mais jovens e contribuir com sua vivência única em Copas do Mundo.

O debate está aberto, e a palavra final será de Carlo Ancelotti. Acompanhe nosso blog para ficar por dentro de todas as novidades sobre a Seleção Brasileira e a preparação para a Copa de 2026. Deixe nos comentários: você acredita que Neymar deve estar no elenco do Mundial?

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