Copa 20265 min de leitura·17 de junho de 2026

Regra anti-cera da FIFA é aplicada pela 1ª vez em Portugal x RD Congo

A nova regra anti-cera da FIFA foi usada pela primeira vez na Copa 2026, durante Portugal x RD Congo. Entenda o que mudou e como funcionou na prática.


Regra anti-cera da FIFA é aplicada pela primeira vez em Portugal x RD Congo

A Copa do Mundo de 2026 já está produzindo momentos históricos — e não apenas dentro das quatro linhas. Durante o empate em 1 a 1 entre Portugal e República Democrática do Congo, nesta quarta-feira (17 de junho de 2026), uma das novas regras implementadas pela FIFA para o torneio foi colocada em prática pela primeira vez em uma partida oficial do Mundial.

O lance envolveu o goleiro congolês Lionel Mpasi, que demorou mais de cinco segundos para cobrar um tiro de meta durante o segundo tempo da partida. A arbitragem aplicou a penalidade prevista no novo regulamento, marcando um tiro livre indireto a favor de Portugal dentro da área.

O episódio reacendeu o debate sobre a eficácia das novas medidas adotadas pela entidade máxima do futebol mundial para combater a chamada "cera" — prática de retardar deliberadamente o jogo, especialmente por equipes que estão em vantagem no placar ou satisfeitas com o resultado.

O que diz a nova regra anti-cera da FIFA

Antes da Copa do Mundo de 2026, a FIFA anunciou um pacote de mudanças regulamentares com o objetivo declarado de aumentar o tempo efetivo de bola rolando nas partidas. Entre as principais alterações, destaca-se a regra do tiro de meta cronometrado.

De acordo com o novo regulamento, o goleiro tem um prazo máximo de oito segundos para executar a cobrança do tiro de meta após o apito do árbitro. Caso ultrapasse esse limite, a equipe adversária recebe um tiro livre indireto no local onde a bola estava posicionada.

A medida faz parte de um esforço mais amplo da FIFA, que inclui também:

  • Cronômetro visível nos telões dos estádios, permitindo que torcedores acompanhem a contagem regressiva;
  • Punições progressivas para reincidência, que podem incluir cartão amarelo ao goleiro;
  • Orientação aos árbitros para serem mais rigorosos com substituições lentas, cobranças de falta demoradas e outras formas de retardar o jogo;
  • Tempo efetivo de jogo monitorado por tecnologia, com relatórios pós-partida disponibilizados pela FIFA.

Essas mudanças foram debatidas ao longo de meses pelo International Football Association Board (IFAB) e aprovadas especificamente para a Copa do Mundo de 2026, com a possibilidade de serem adotadas permanentemente caso os resultados sejam positivos.

Como o lance aconteceu em Portugal x RD Congo

O jogo entre Portugal e República Democrática do Congo, válido pela fase de grupos da Copa do Mundo, transcorria no segundo tempo quando o lance histórico ocorreu. Com o placar já em 1 a 1, Mpasi recebeu a bola para cobrar um tiro de meta e, segundo a avaliação da equipe de arbitragem, excedeu o limite de tempo regulamentar.

O árbitro da partida sinalizou a infração e concedeu um tiro livre indireto para Portugal, dentro da grande área congolesa. O momento gerou surpresa entre os jogadores da RD Congo e repercutiu imediatamente nas redes sociais e nas transmissões televisivas ao redor do mundo.

É importante destacar que a cobrança de tiro livre indireto dentro da área é uma situação rara no futebol. Nesse tipo de lance, a bola precisa tocar em pelo menos dois jogadores antes de entrar no gol para que o tento seja validado, o que torna a conversão em gol mais difícil, mas não impossível.

No caso específico da partida, Portugal não conseguiu converter a oportunidade em gol, e o jogo terminou empatado em 1 a 1. Ainda assim, o episódio serviu como um recado claro da FIFA e da equipe de arbitragem: as novas regras serão aplicadas com rigor durante todo o torneio.

O problema histórico da "cera" no futebol

A prática de retardar o jogo deliberadamente é tão antiga quanto o próprio futebol competitivo. Ao longo das décadas, goleiros e jogadores de linha desenvolveram diversas estratégias para "queimar" tempo de jogo, especialmente quando seus times estavam em vantagem no placar:

  • Tiros de meta demorados, com o goleiro caminhando lentamente até a bola;
  • Substituições lentas, com jogadores saindo de campo pelo ponto mais distante do banco de reservas;
  • Simulações de lesão, com atletas caindo no gramado sem contato aparente;
  • Cobranças de falta e laterais retardadas, com jogadores segurando a bola por longos períodos.

Estudos realizados pela própria FIFA mostraram que, em algumas partidas de Copas do Mundo anteriores, o tempo efetivo de bola em jogo chegou a ser inferior a 50 minutos em partidas de 90 minutos — ou seja, menos da metade do tempo regulamentar era de futebol jogado de fato.

Essa realidade frustrava torcedores, treinadores e até mesmo os próprios jogadores, que viam o espetáculo ser prejudicado por táticas consideradas antidesportivas. A Copa do Mundo de 2026, com o formato expandido para 48 seleções e um número recorde de partidas, foi vista pela FIFA como o momento ideal para implementar mudanças significativas.

Reações e repercussão mundial

A aplicação da regra em Portugal x RD Congo gerou ampla repercussão. Nas redes sociais, torcedores se dividiram entre aqueles que celebraram a medida como um avanço necessário e os que questionaram se a penalidade — um tiro livre indireto dentro da área — não seria excessivamente severa.

Analistas e comentaristas esportivos, de maneira geral, elogiaram a postura da arbitragem em aplicar a regra já na fase de grupos, sinalizando que não se trata de uma norma meramente decorativa. A expectativa é que a aplicação precoce sirva como efeito pedagógico, fazendo com que goleiros e comissões técnicas se adaptem rapidamente ao novo ritmo exigido.

Por outro lado, alguns treinadores levantaram preocupações legítimas sobre situações em que o atraso pode ser involuntário — por exemplo, quando a bola rola para longe da área ou quando há necessidade de organizar a barreira defensiva. A FIFA, no entanto, esclareceu que a contagem só se inicia após o apito do árbitro e que há margem para o bom senso da equipe de arbitragem.

O que esperar para as próximas partidas da Copa 2026

Com o precedente aberto na partida entre Portugal e RD Congo, é provável que goleiros de todas as seleções participantes passem a prestar mais atenção ao tempo de cobrança de tiros de meta. A tendência é que, ao longo do torneio, a prática da "cera" diminua significativamente — que é, afinal, o objetivo principal da FIFA.

Além disso, a aplicação bem-sucedida dessa regra pode abrir caminho para que outras medidas anti-cera sejam testadas e eventualmente incorporadas ao futebol de clubes, tanto em competições continentais quanto em ligas nacionais.

O futebol, como qualquer esporte, precisa evoluir para manter sua relevância e atratividade. Se as novas regras conseguirem aumentar o tempo efetivo de jogo sem comprometer a essência tática do esporte, a Copa do Mundo de 2026 poderá ser lembrada não apenas pelos gols e pelas surpresas dentro de campo, mas também como um marco regulatório na história do futebol.


A estreia da regra anti-cera em um palco tão grandioso como a Copa do Mundo mostra que a FIFA está disposta a ir além do discurso e promover mudanças concretas no esporte mais popular do planeta. Acompanhe nosso blog para ficar por dentro de todas as novidades, análises táticas e bastidores da Copa 2026 — o torneio que pode redefinir as regras do jogo.

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