Copa 20265 min de leitura·03 de junho de 2026

Messi não tem condições de jogar 90 minutos na Copa 2026, diz La Volpe

Ricardo La Volpe avalia que Messi pode não aguentar 90 minutos na Copa 2026, mas vê a Argentina como candidata ao título. Confira a análise completa.


Messi não tem condições de jogar 90 minutos na Copa 2026, avalia La Volpe

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, já movimenta debates intensos sobre as principais seleções candidatas ao título. Entre os temas mais discutidos, a condição física de Lionel Messi ocupa lugar de destaque. O ex-técnico e campeão mundial pela Argentina, Ricardo La Volpe, afirmou que o craque pode não ter condições de atuar durante os 90 minutos de uma partida no Mundial, embora considere a seleção argentina como forte candidata ao bicampeonato consecutivo.

A declaração de La Volpe, reportada pela Gazeta Esportiva, reacende uma discussão que acompanha Messi desde sua transferência para o Inter Miami, em 2023: até que ponto o maior jogador de sua geração conseguirá manter o rendimento em altíssimo nível em uma competição tão exigente quanto a Copa do Mundo?

A avaliação de La Volpe e o contexto físico de Messi

Ricardo La Volpe não é um nome qualquer no futebol argentino e mundial. Campeão do mundo pela Argentina em 1978 e com vasta experiência como treinador — tendo comandado a seleção mexicana na Copa de 2006, entre outros trabalhos —, ele carrega credibilidade para opinar sobre gestão de elenco e condicionamento de atletas.

Segundo La Volpe, Messi, que completará 39 anos durante a Copa de 2026, pode não reunir condições físicas para disputar partidas inteiras no torneio. Essa avaliação não se trata de questionar a qualidade técnica do camisa 10 — algo praticamente inquestionável —, mas sim de reconhecer as limitações naturais que a idade impõe ao corpo de qualquer atleta profissional.

Nos últimos anos, já é possível observar uma gestão mais cuidadosa da carga de trabalho de Messi. No Inter Miami, sob o comando de diferentes treinadores, o argentino tem sido poupado em diversas partidas da temporada regular da MLS, priorizando jogos decisivos e competições de maior relevância. Lesões musculares, como a sofrida na final da Copa América de 2024, também ligaram um sinal de alerta sobre a necessidade de dosá-lo em campo.

O que os números recentes mostram

Embora Messi siga sendo decisivo quando entra em campo — com gols e assistências em ritmo impressionante para qualquer padrão —, alguns indicadores merecem atenção:

  • Menor volume de minutos por temporada: Messi tem jogado menos partidas completas em relação ao que fazia em seus anos de Barcelona e PSG.
  • Recuperação mais lenta: O tempo de recuperação entre jogos de alta intensidade tem aumentado, algo esperado para atletas acima dos 35 anos.
  • Gestão estratégica de minutos: O Inter Miami tem administrado suas entradas e saídas de campo com mais cautela, evitando sobrecargas.

Esses fatores não diminuem o impacto de Messi, mas ajudam a entender por que La Volpe e outros analistas levantam a questão da viabilidade de utilizá-lo por 90 minutos em jogos consecutivos de Copa do Mundo.

Argentina segue como candidata mesmo com Messi limitado fisicamente

Um ponto importante da análise de La Volpe é que, apesar da ressalva sobre a condição física de Messi, ele enxerga a Argentina como uma das grandes candidatas ao título da Copa de 2026. E essa visão tem fundamentos sólidos.

A seleção comandada por Lionel Scaloni conquistou a Copa América de 2021, a Copa do Mundo de 2022 no Catar e a Copa América de 2024 nos Estados Unidos. Trata-se de um ciclo vitorioso raro no futebol mundial, construído sobre um grupo coeso e com jogadores de altíssimo nível em diversas posições.

Um elenco que vai além de Messi

Diferentemente de edições anteriores da seleção argentina, em que o time parecia excessivamente dependente de Messi, o grupo atual apresenta múltiplas opções de qualidade:

  • Enzo Fernández (meio-campo): Peça fundamental na conquista do Mundial de 2022, segue em evolução no futebol europeu.
  • Julián Álvarez (ataque): Jovem e versátil, tem se consolidado como um dos principais atacantes do futebol mundial.
  • Alexis Mac Allister (meio-campo): Campeão da Champions League e titular absoluto da seleção.
  • Emiliano Martínez (goleiro): Um dos melhores goleiros do mundo, decisivo em disputas de pênaltis e momentos cruciais.
  • Lautaro Martínez (ataque): Artilheiro consistente, capaz de assumir protagonismo ofensivo.

Essa profundidade de elenco permite que Scaloni, caso Messi realmente não consiga atuar por 90 minutos, utilize o craque de forma estratégica — como um "jogador de impacto" que entra no segundo tempo ou que é poupado em jogos de menor importância na fase de grupos para estar inteiro nas fases eliminatórias.

Precedentes históricos: craques veteranos em Copas do Mundo

A situação de Messi não é inédita na história das Copas. Diversos grandes jogadores disputaram Mundiais em idade avançada, com gestão especial de minutos:

  • Ronaldo Fenômeno (Brasil, 2006): Aos 29 anos já enfrentava problemas físicos crônicos, mas foi titular e artilheiro do Brasil na fase de grupos.
  • Zinedine Zidane (França, 2006): Aos 33 anos, brilhou na Copa da Alemanha em sua despedida, mesmo sem a mesma capacidade física de anos anteriores.
  • Miroslav Klose (Alemanha, 2014): Aos 36 anos, teve participação dosada, mas marcou o gol que o tornou o maior artilheiro da história das Copas.
  • Cristiano Ronaldo (Portugal, 2022): Aos 37 anos, disputou o Mundial do Catar, mas já com limitações evidentes de mobilidade.

O caso de Messi na Copa de 2026 pode seguir um caminho semelhante: presença simbólica e técnica extremamente relevante, porém com necessidade de administração inteligente por parte da comissão técnica.

O desafio de Scaloni: equilibrar emoção e razão

Se a Argentina de fato convocar Messi para a Copa de 2026 — algo que ainda depende das condições do jogador nos meses que antecedem o torneio —, Lionel Scaloni terá um desafio delicado: equilibrar a importância emocional e simbólica de ter Messi no grupo com a necessidade pragmática de escalar o time mais competitivo possível.

Scaloni já demonstrou, ao longo de seu ciclo, que não tem medo de tomar decisões difíceis. Ao mesmo tempo, a relação entre o treinador e Messi é de profunda confiança mútua, o que pode facilitar uma conversa franca sobre o papel do craque no torneio.

É possível imaginar cenários em que Messi atue como titular em jogos decisivos e seja preservado em outros, ou até mesmo em que comece partidas no banco de reservas para entrar nos momentos mais importantes. A Copa de 2026, com seu formato expandido de 48 seleções e mais jogos na fase de grupos, pode tornar essa gestão ainda mais necessária.

Conclusão

A avaliação de Ricardo La Volpe sobre Messi ecoa uma preocupação legítima e compartilhada por muitos analistas do futebol mundial. Aos 39 anos, é natural que o craque argentino enfrente limitações físicas que tornem difícil a atuação por 90 minutos em jogos de altíssima intensidade. No entanto, isso não significa que sua presença na Copa de 2026 seja irrelevante — muito pelo contrário. Messi, mesmo dosado, pode ser uma arma decisiva para a Argentina na busca pelo bicampeonato. A chave estará na inteligência tática de Scaloni e na capacidade do elenco de sustentar o time mesmo nos momentos em que o gênio estiver fora de campo.

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