Bastidores5 min de leitura·05 de agosto de 2026

Luís Figo pede renúncia de Infantino e o chama de 'desonesto'

Luís Figo criticou duramente Gianni Infantino, pediu sua renúncia da FIFA e atacou plano de abrir competições a investidores privados. Entenda a polêmica.


Luís Figo volta a criticar a gestão de Gianni Infantino na FIFA

O ex-jogador português Luís Figo, um dos maiores nomes da história do futebol europeu, voltou a protagonizar uma declaração de forte impacto político no mundo do esporte. Em pronunciamento recente, Figo pediu abertamente a renúncia de Gianni Infantino da presidência da FIFA, classificando o dirigente suíço-italiano como "desonesto". A crítica não parou por aí: o antigo craque do Barcelona, Real Madrid e Inter de Milão também atacou frontalmente o plano da entidade máxima do futebol mundial de abrir competições a investidores privados.

A postura combativa de Figo não é exatamente uma novidade. O português já havia concorrido à presidência da FIFA em 2015, quando acabou desistindo da disputa antes da votação, alegando que o processo eleitoral não era transparente. Desde então, ele se manteve como uma voz crítica dentro do cenário político do futebol, questionando decisões que, segundo ele, priorizam interesses financeiros em detrimento da essência esportiva.

O que motivou as declarações de Figo?

O estopim para as mais recentes críticas de Luís Figo foi o projeto da FIFA de permitir a entrada de investidores privados em competições organizadas pela entidade. Esse modelo, que vem sendo discutido nos bastidores há algum tempo, prevê que grupos empresariais e fundos de investimento possam participar da estrutura comercial e operacional de torneios internacionais — incluindo, potencialmente, a Copa do Mundo e o novo Mundial de Clubes em formato expandido.

Para Figo, essa abertura representa uma ameaça à integridade do futebol. Na visão do ex-jogador, permitir que o capital privado tenha influência direta sobre competições da FIFA pode gerar conflitos de interesse, comprometer a equidade esportiva e transformar torneios históricos em produtos moldados exclusivamente por lógica de mercado.

A crítica de Figo ecoa preocupações que já foram levantadas por outras figuras do futebol mundial. Diversos dirigentes de federações nacionais, especialmente de países menores, temem que a entrada de grandes investidores beneficie desproporcionalmente as nações e clubes mais ricos, aprofundando a desigualdade que já existe no esporte.

O termo "desonesto" e o peso político da declaração

Ao chamar Infantino de "desonesto", Figo não mediu palavras. O termo carrega um peso significativo, especialmente vindo de alguém que já disputou a presidência da FIFA e conhece de perto os meandros políticos da entidade. A acusação sugere que, na avaliação de Figo, as decisões tomadas pela atual gestão não são conduzidas com a transparência e a boa-fé que se espera de uma organização responsável por governar o esporte mais popular do planeta.

Infantino, que assumiu a presidência da FIFA em 2016, após o escândalo de corrupção que derrubou Joseph Blatter, sempre se apresentou como um reformador. No entanto, sua gestão tem sido marcada por decisões controversas, como a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, a realização do Mundial de 2022 no Catar e, mais recentemente, o novo formato do Mundial de Clubes. Cada uma dessas decisões gerou debates acalorados sobre as reais motivações por trás delas — se esportivas ou predominantemente financeiras.

O histórico de tensão entre Figo e a cúpula da FIFA

A relação de Luís Figo com a FIFA sempre foi marcada por uma postura de confronto institucional. Em 2015, quando anunciou sua candidatura à presidência da entidade, o português prometeu uma gestão baseada em transparência, redistribuição de recursos e valorização do futebol de base. Sua desistência antes da eleição — vencida por Infantino — foi acompanhada de declarações duras sobre a falta de condições justas no processo.

Desde então, Figo tem utilizado sua influência e visibilidade para questionar rumos que considera prejudiciais ao esporte. Sua trajetória como jogador — vencedor da Bola de Ouro em 2000, campeão da Liga dos Campeões e ídolo em dois dos maiores clubes do mundo — lhe confere uma credibilidade que poucos críticos da FIFA possuem.

Outros nomes que já questionaram a gestão Infantino

Figo não está sozinho em suas críticas. Ao longo dos últimos anos, diversas personalidades do futebol manifestaram insatisfação com a direção tomada pela FIFA sob Infantino:

  • Michel Platini, ex-presidente da UEFA, já fez críticas públicas à forma como a FIFA conduz seus negócios.
  • Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global da FIFA, embora trabalhe na entidade, já expressou divergências sobre o calendário sobrecarregado.
  • Sindicatos de jogadores, como a FIFPRO, têm alertado repetidamente sobre o excesso de partidas e a falta de consulta aos atletas nas decisões sobre novos torneios.
  • Ligas europeias também se posicionaram contra a expansão de competições, argumentando que o calendário já está no limite.

Essas vozes dissidentes reforçam a percepção de que existe um descontentamento crescente com a forma como a FIFA tem conduzido a comercialização do futebol.

O debate sobre investidores privados no futebol

A questão dos investidores privados em competições da FIFA merece uma análise mais ampla. O modelo de participação de capital privado no esporte não é novidade — ligas como a Premier League inglesa e a própria MLS norte-americana operam com forte presença de investidores. No entanto, a diferença fundamental está no fato de que a FIFA é, em tese, uma entidade que deveria representar o interesse coletivo do futebol mundial, e não os interesses de acionistas.

Quando se fala em abrir competições da FIFA a investidores, surgem questões inevitáveis:

  • Quem terá poder de decisão sobre formatos, datas e locais dos torneios?
  • Como será garantida a equidade entre seleções e clubes de diferentes realidades econômicas?
  • Qual será o impacto sobre federações menores, que dependem da redistribuição de receitas da FIFA?
  • A experiência do torcedor será preservada ou moldada por interesses comerciais?

Essas perguntas ainda não têm respostas claras, e é justamente essa falta de transparência que alimenta as críticas de figuras como Luís Figo.

O contexto da Copa do Mundo 2026

As declarações de Figo ganham ainda mais relevância no contexto atual. A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, já está prevista para ser o maior torneio da história, com 48 seleções participantes. A competição deve movimentar cifras recordes em direitos de transmissão, patrocínios e receitas comerciais. Nesse cenário, a discussão sobre o papel de investidores privados se torna ainda mais sensível.

Conclusão: um debate que está longe de acabar

As críticas de Luís Figo a Gianni Infantino refletem um debate que transcende personalidades e atinge o coração da governança do futebol mundial. A tensão entre a expansão comercial do esporte e a preservação de seus valores fundamentais — competitividade, equidade e paixão — é um tema que continuará gerando discussões acaloradas nos próximos anos. Independentemente de concordar ou não com o tom adotado pelo ex-jogador português, é inegável que vozes como a dele são importantes para manter a pressão por transparência e responsabilidade na gestão do esporte mais amado do mundo.

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