Copa 20265 min de leitura·08 de junho de 2026

Infantino aposta na Copa de 2026 para ampliar poder na Fifa

Gianni Infantino mira reeleição e usa Copa de 2026 ampliada para 48 seleções como vitrine política. Entenda os bastidores e as críticas ao presidente da Fifa.


Infantino aposta na Copa de 2026 para ampliar poder na Fifa e mira reeleição

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, representa muito mais do que um evento esportivo para Gianni Infantino. O presidente da Fifa enxerga o torneio ampliado para 48 seleções como a grande oportunidade de consolidar sua influência na entidade máxima do futebol mundial — e pavimentar o caminho para uma possível reeleição.

Desde que assumiu a presidência em 2016, Infantino tem conduzido transformações profundas na estrutura da Fifa, e a Copa de 2026 é a materialização mais ambiciosa de sua gestão. No entanto, o caminho está longe de ser livre de obstáculos: críticas sobre a gestão financeira, os preços dos ingressos, questões políticas e o próprio formato expandido do torneio geram debates intensos no cenário esportivo internacional.

A Copa de 48 seleções: vitrine política de Infantino

A expansão de 32 para 48 seleções na Copa do Mundo foi uma das primeiras e mais marcantes bandeiras de Infantino à frente da Fifa. A ideia, aprovada pelo Conselho da Fifa em janeiro de 2017, sempre teve um componente político claro: ao abrir mais vagas, o presidente atende diretamente aos interesses de confederações menores, especialmente da África, Ásia e Concacaf, que historicamente contavam com representação reduzida no torneio.

Esse movimento não é apenas esportivo — é estratégico. As federações nacionais que passam a ter chances reais de classificação tendem a apoiar a gestão que viabilizou essa inclusão. Em uma organização onde cada federação tem direito a um voto na assembleia geral, ampliar o acesso ao principal torneio do planeta é uma ferramenta poderosa de construção de alianças.

O formato da Copa de 2026 prevê 104 partidas distribuídas entre 16 cidades-sede nos três países anfitriões. É o maior Mundial da história em número de jogos, seleções e sedes — e Infantino quer que essa grandiosidade seja associada diretamente à sua liderança.

O impacto financeiro da expansão

Do ponto de vista econômico, mais jogos significam mais receita de transmissão, patrocínios e bilheteria. A Fifa projeta arrecadações recordes com o torneio de 2026, o que fortalece o discurso de Infantino de que sua gestão trouxe crescimento financeiro à entidade.

Porém, críticos apontam que a expansão pode diluir a qualidade técnica da competição, com fases de grupos menos competitivas e partidas de menor apelo. Além disso, há preocupações sobre a logística de um torneio espalhado por três países e sobre a carga de jogos imposta aos atletas em um calendário já sobrecarregado.

Críticas à gestão e os desafios para a reeleição

Apesar da estratégia de expansão e inclusão, Infantino enfrenta resistências significativas. Diversas vozes no futebol europeu e em organizações de direitos humanos têm questionado aspectos centrais de sua administração.

Preços e acessibilidade

Um dos pontos mais sensíveis diz respeito aos preços dos ingressos para a Copa de 2026. Com o torneio sediado nos Estados Unidos — onde o custo de vida e os valores de eventos esportivos são elevados — há a preocupação de que a Copa se torne inacessível para torcedores de países em desenvolvimento. A contradição é evidente: um torneio que se expande em nome da inclusão pode acabar excluindo justamente o público que deveria beneficiar.

Questões políticas e de governança

Infantino também é alvo de críticas por sua postura em relação a questões geopolíticas e de direitos humanos. Sua proximidade com governos autoritários e a escolha de sedes controversas para outros torneios da Fifa alimentam questionamentos sobre a transparência e os valores da entidade sob sua liderança.

Além disso, a concentração de poder na figura do presidente é vista com desconfiança por parte de federações europeias e por setores da imprensa internacional, que apontam um estilo de gestão personalista e pouco aberto ao contraditório.

O cenário eleitoral na Fifa

O próximo congresso eletivo da Fifa ainda não tem data confirmada para a eleição presidencial, mas o mandato atual de Infantino se estende até 2027. O desempenho organizacional e político da Copa de 2026 será, sem dúvida, um fator determinante para suas pretensões de continuidade.

Se o torneio for um sucesso de público, audiência e receita, Infantino terá argumentos sólidos para buscar mais um mandato. Por outro lado, se problemas logísticos, protestos ou escândalos marcarem o evento, a oposição interna pode ganhar corpo.

O contexto histórico: presidentes da Fifa e o poder dos Mundiais

A relação entre presidentes da Fifa e Copas do Mundo como instrumentos de poder não é novidade. João Havelange, presidente de 1974 a 1998, usou a expansão do Mundial de 16 para 24 seleções (em 1982) e depois para 32 (em 1998) como parte de sua estratégia de fortalecimento político. Joseph Blatter, seu sucessor, manteve a mesma lógica de usar a distribuição de vagas e a escolha de sedes como moeda de troca política.

Infantino segue essa tradição, mas em uma escala ainda maior. A ampliação para 48 equipes é o salto mais ousado na história do torneio e reflete uma compreensão clara de que, na Fifa, o poder se constrói pela capacidade de distribuir oportunidades — e receitas — entre o maior número possível de federações.

O que esperar da Copa de 2026 e seus reflexos políticos

Com o início do torneio previsto para junho de 2026, os próximos meses serão decisivos para avaliar a execução do projeto de Infantino. Alguns pontos merecem atenção especial:

  • Logística tri-nacional: a coordenação entre Estados Unidos, México e Canadá em termos de segurança, transporte e infraestrutura será um teste inédito.
  • Engajamento do público norte-americano: o futebol ainda compete com outros esportes por espaço nos EUA, e o sucesso de público nas arenas será um indicador importante.
  • Resposta das seleções menores: o desempenho das equipes que se classificaram graças à ampliação de vagas pode validar ou enfraquecer o argumento da inclusão.
  • Receitas e retorno financeiro: os números finais de arrecadação serão usados como argumento central por Infantino em qualquer campanha futura.

Conclusão

A Copa do Mundo de 2026 é, para Gianni Infantino, muito mais do que um torneio de futebol: é o projeto que pode definir seu legado à frente da Fifa. Com a expansão para 48 seleções, ele busca consolidar alianças políticas, ampliar receitas e projetar uma imagem de modernização e inclusão. As críticas, porém, são reais e persistentes — dos preços dos ingressos à governança da entidade. O resultado dentro e fora de campo nos próximos meses deve moldar não apenas o futuro de Infantino, mas o rumo do futebol mundial nas próximas décadas.

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