Copa 20265 min de leitura·08 de junho de 2026

FIFA aposta nas redes sociais para atrair público jovem na Copa 2026

A FIFA firma parcerias com TikTok, YouTube e Netflix para conquistar jovens na Copa 2026. Entenda a estratégia digital da entidade e o impacto no futebol.


FIFA aposta nas redes sociais para atrair público jovem na Copa 2026

A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, representa muito mais do que uma revolução esportiva com o formato expandido para 48 seleções. Nos bastidores, a FIFA está conduzindo uma transformação profunda na maneira como o maior evento do futebol mundial é consumido — e o alvo principal são os jovens que já não acompanham o esporte pela televisão tradicional.

Com parcerias estratégicas firmadas com plataformas como TikTok, YouTube e Netflix, a entidade máxima do futebol mundial busca diversificar sua presença digital e garantir que a Copa 2026 alcance uma audiência que cada vez mais migra das telas da TV para as telas dos smartphones.

A queda da audiência televisiva e a necessidade de reinvenção

O cenário que motiva essa mudança de estratégia não é novo, mas se tornou urgente. Nos últimos anos, a audiência televisiva de grandes eventos esportivos entre o público mais jovem vem caindo de forma consistente. A chamada Geração Z e os millennials mais novos consomem conteúdo de maneira fragmentada, preferindo vídeos curtos, highlights e bastidores em plataformas digitais a transmissões lineares de 90 minutos.

Essa tendência não é exclusiva do futebol. Ligas como a NBA e a NFL já vêm investindo pesadamente em conteúdo digital há anos, e a FIFA percebeu que não poderia ficar para trás. A Copa do Mundo, apesar de ser o evento esportivo mais assistido do planeta, precisa se adaptar para manter sua relevância entre as novas gerações.

A estratégia da FIFA para a Copa de 2026 envolve uma abordagem multifacetada:

  • TikTok: produção de conteúdos curtos, virais e com linguagem informal, incluindo memes, bastidores dos treinos e momentos inusitados dos jogadores.
  • YouTube: vídeos mais longos com análises táticas, documentários rápidos sobre seleções e conteúdos exclusivos de bastidores.
  • Netflix: produção de séries e documentários que explorem histórias humanas por trás do torneio, nos moldes de produções de sucesso como Drive to Survive (Fórmula 1) e Break Point (tênis).

Além das plataformas em si, a FIFA também deve apostar na colaboração com influenciadores digitais e criadores de conteúdo, figuras que possuem conexão direta com o público jovem e que podem funcionar como pontes entre o futebol tradicional e a nova audiência digital.

TV ainda é rei na receita, mas o digital ganha espaço

Apesar de toda a movimentação no ambiente digital, é importante contextualizar: a televisão ainda é, de longe, a principal fonte de receita da FIFA quando se trata de direitos de transmissão. Os contratos bilionários com emissoras de TV ao redor do mundo continuam sendo o pilar financeiro que sustenta a organização de um evento do porte da Copa do Mundo.

No entanto, a FIFA compreende que depender exclusivamente de um modelo de negócios em declínio entre as gerações mais novas é um risco de longo prazo. A diversificação de receitas por meio de plataformas digitais, novos acordos comerciais e experiências interativas é uma estratégia que visa garantir a sustentabilidade financeira do futebol mundial nas próximas décadas.

Essa abordagem dual — manter a TV como base de receita enquanto constrói uma presença digital robusta — é semelhante ao que outras grandes propriedades esportivas têm feito. A diferença é a escala: a Copa do Mundo atinge praticamente todos os mercados do planeta, o que torna a operação digital significativamente mais complexa e, ao mesmo tempo, potencialmente mais lucrativa.

Panini fica para trás: Fanatics assume o licenciamento

Outra mudança marcante que reflete essa nova visão da FIFA é a reformulação do licenciamento de produtos. Após décadas de parceria histórica com a Panini — cuja coleção de figurinhas se tornou sinônimo de Copa do Mundo para gerações inteiras de torcedores —, a entidade optou por encerrar essa colaboração e apostar na Fanatics.

A Fanatics é uma gigante americana do mercado de produtos esportivos licenciados, com forte presença digital e expertise em e-commerce. A escolha sinaliza claramente a intenção da FIFA de expandir o mercado de itens colecionáveis para além do álbum de figurinhas tradicional, explorando:

  • Colecionáveis digitais (NFTs e cards virtuais)
  • Produtos personalizados vendidos diretamente ao consumidor via plataformas online
  • Experiências interativas que combinem o mundo físico e digital

Para muitos torcedores, especialmente os mais velhos, a ausência da Panini pode gerar nostalgia. O álbum de figurinhas era um ritual cultural que transcendia o futebol. Porém, a decisão da FIFA reflete uma leitura pragmática do mercado: o público jovem, que é o alvo principal dessa nova estratégia, tende a valorizar experiências digitais e produtos que possam ser compartilhados nas redes sociais.

O que isso significa para o futuro do futebol

A estratégia digital da FIFA para a Copa de 2026 não é apenas uma questão de marketing — é uma declaração sobre o futuro do esporte. O futebol, assim como qualquer outro produto cultural, precisa ir onde seu público está. E, cada vez mais, esse público está no celular.

Alguns pontos merecem atenção especial nesse processo:

  1. Democratização do acesso: conteúdos gratuitos em plataformas como TikTok e YouTube podem levar o futebol a públicos que jamais teriam acesso a uma assinatura de TV por assinatura.
  2. Engajamento contínuo: diferente da TV, as redes sociais permitem interação em tempo real, criando uma experiência mais imersiva e participativa para o torcedor.
  3. Novos mercados: os Estados Unidos, país-sede principal da Copa 2026, possuem um mercado esportivo gigantesco, mas onde o futebol (soccer) ainda compete por atenção com NFL, NBA, MLB e NHL. A presença digital pode ser decisiva para conquistar o público americano mais jovem.
  4. Dados e personalização: plataformas digitais geram dados valiosos sobre comportamento do consumidor, permitindo que a FIFA e seus parceiros comerciais personalizem ofertas e conteúdos de forma muito mais eficiente do que a TV tradicional permite.

Conclusão

A Copa do Mundo de 2026 promete ser um marco não apenas pelo formato inédito com 48 seleções, mas também pela revolução na forma como o torneio será consumido globalmente. A FIFA demonstra estar atenta às mudanças de comportamento do público e disposta a investir pesadamente em plataformas digitais, parcerias com criadores de conteúdo e novas formas de licenciamento para garantir que o futebol continue sendo o esporte mais popular do planeta — inclusive entre aqueles que nunca ligaram a TV para assistir a um jogo.

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