Copa 20265 min de leitura·07 de junho de 2026

Copa 2026: o impacto ambiental do maior Mundial da história

A Copa de 2026 em EUA, México e Canadá pode ter a maior pegada de carbono da história do esporte. Entenda os impactos ambientais do torneio expandido.


A Copa do Mundo de 2026, que será realizada em três países — Estados Unidos, México e Canadá —, promete ser a maior edição da história do torneio. Com 48 seleções, 104 partidas programadas e 16 cidades-sede espalhadas por uma área continental gigantesca, o evento organizado pela FIFA levanta uma questão que vai muito além das quatro linhas: qual será o custo ambiental de um Mundial nessas proporções?

Pesquisadores e organizações ambientalistas já apontam que a edição de 2026 deve registrar a maior pegada de carbono da história do esporte internacional. As críticas se concentram no modelo de expansão adotado pela FIFA e nas enormes distâncias entre as sedes, que exigirão um volume inédito de deslocamentos aéreos.

Um Mundial expandido: mais jogos, mais viagens, mais emissões

A decisão da FIFA de ampliar o formato da Copa do Mundo de 32 para 48 seleções, aprovada em 2017, trouxe consequências logísticas significativas. O número de partidas saltou de 64 (como nas últimas edições) para 104, o que representa um aumento de mais de 60% na quantidade de jogos disputados em uma única edição.

Além do volume maior de partidas, o fator geográfico é determinante para o impacto ambiental. As 16 cidades-sede estão distribuídas por três países que, juntos, cobrem uma área de mais de 21 milhões de quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia da escala, a distância entre Seattle (no noroeste dos EUA) e a Cidade do México ultrapassa 3.600 quilômetros em linha reta. Já o trajeto entre Vancouver (Canadá) e Guadalajara (México) supera os 4.000 quilômetros.

Essas distâncias significam que seleções, comissões técnicas, delegações da FIFA, jornalistas e, sobretudo, torcedores precisarão recorrer massivamente ao transporte aéreo — o modal mais poluente por passageiro quando se consideram longas distâncias. De acordo com dados amplamente reconhecidos pela comunidade científica, a aviação responde por cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂, e grandes eventos esportivos tendem a intensificar esse impacto de forma concentrada.

O precedente do Catar e a escalada das emissões

A Copa do Mundo de 2022, no Catar, já havia sido alvo de intenso escrutínio ambiental. Apesar de ter sido disputada em um único país de dimensões reduzidas — o que, em tese, reduziria as distâncias de deslocamento —, a construção de estádios do zero, o uso massivo de sistemas de ar-condicionado e o transporte internacional dos torcedores geraram uma pegada de carbono considerável.

A edição de 2026 parte de um cenário diferente em relação à infraestrutura, já que a maioria dos estádios nos três países já existe e não precisará ser construída do zero. No entanto, a escala geográfica e o volume ampliado de participantes e jogos tendem a superar com folga qualquer ganho obtido pelo reaproveitamento de arenas.

As críticas dos ambientalistas e o papel da FIFA

Organizações ambientalistas e pesquisadores da área de sustentabilidade têm direcionado críticas consistentes à FIFA pelo modelo de crescimento contínuo do torneio. O argumento central é que a expansão para 48 seleções e a escolha de um formato tri-nacional com cidades muito distantes entre si priorizam interesses comerciais em detrimento da responsabilidade ambiental.

Entre os principais pontos levantados pelos críticos, destacam-se:

  • Volume de voos internacionais e domésticos: com 48 delegações, milhares de profissionais de imprensa e milhões de torcedores previstos, o número de voos associados ao evento deve atingir patamares sem precedentes para uma competição esportiva.
  • Infraestrutura de transporte terrestre: embora os EUA, o México e o Canadá possuam malhas rodoviárias extensas, a conexão ferroviária de alta velocidade entre as cidades-sede é limitada, o que empurra grande parte dos deslocamentos para o modal aéreo ou rodoviário.
  • Impacto urbano concentrado: as cidades-sede devem receber um fluxo massivo de visitantes em um curto período, gerando pressão sobre sistemas de transporte público, hospedagem, gestão de resíduos e consumo de energia.
  • Compensação de carbono questionável: a FIFA tem adotado programas de compensação de emissões (carbon offsets) em edições recentes, mas especialistas apontam que essas iniciativas frequentemente não compensam de forma real e mensurável o volume de CO₂ emitido.

O que a FIFA tem dito sobre sustentabilidade

A entidade máxima do futebol mundial tem comunicado compromissos com a sustentabilidade para a Copa de 2026, incluindo metas de redução de emissões e programas de compensação ambiental. No entanto, até o momento, detalhes concretos sobre como essas metas serão alcançadas em um evento dessa magnitude ainda são aguardados com ceticismo por parte da comunidade científica e das organizações ambientais.

É importante ressaltar que, como o torneio ainda não começou — com a cerimônia de abertura prevista para os próximos dias de junho de 2026 —, o impacto ambiental real só poderá ser mensurado durante e após a competição. As projeções atuais, porém, indicam um cenário preocupante.

O dilema entre espetáculo e responsabilidade

A discussão sobre o impacto ambiental da Copa de 2026 reflete um dilema mais amplo que permeia o esporte de alto rendimento na atualidade: como conciliar a grandiosidade dos eventos esportivos globais com a urgência climática?

De um lado, há o argumento legítimo de que a expansão do torneio democratiza o acesso de mais seleções e torcidas à maior competição de futebol do mundo. Países que historicamente tinham poucas chances de se classificar agora têm a oportunidade de participar, o que fortalece o desenvolvimento do futebol em nível global.

De outro, há um custo ambiental que não pode ser ignorado. Em um contexto em que o Acordo de Paris estabelece metas cada vez mais rígidas de redução de emissões e em que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes, a realização de megaeventos esportivos sem um planejamento ambiental robusto levanta questionamentos legítimos.

Alguns caminhos que especialistas sugerem para edições futuras incluem:

  • Priorizar candidaturas com proximidade geográfica entre as sedes, reduzindo a necessidade de voos longos.
  • Investir em infraestrutura de transporte sustentável, como trens de alta velocidade, como parte do legado do evento.
  • Estabelecer metas de emissão verificáveis e auditadas por terceiros, em vez de depender exclusivamente de programas de compensação.
  • Reduzir o número de sedes para concentrar os jogos em regiões mais compactas.

Conclusão

A Copa do Mundo de 2026 será, sem dúvida, um espetáculo esportivo de proporções históricas. Porém, o tamanho do evento traz consigo uma responsabilidade ambiental igualmente histórica. À medida que o torneio se aproxima, o debate sobre sustentabilidade no esporte se torna cada vez mais urgente — e cabe não apenas à FIFA, mas também aos governos dos países-sede, aos patrocinadores e ao público acompanhar de perto os impactos reais dessa edição. Fique atento às análises e dados que serão divulgados ao longo do Mundial e reflita: até que ponto o crescimento do espetáculo esportivo pode avançar sem comprometer o futuro do planeta?

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