Notícias4 min de leitura·06 de junho de 2026

Confederação Africana apoia reeleição de Infantino na Fifa

A CAF declarou apoio unânime à reeleição de Gianni Infantino na presidência da Fifa. Entenda o impacto político para o pleito de 2027.


CAF declara apoio unânime à reeleição de Gianni Infantino

A Confederação Africana de Futebol (CAF) oficializou seu apoio à candidatura de Gianni Infantino para mais um mandato à frente da Fifa. A declaração, que conta com respaldo unânime das federações africanas filiadas, representa um movimento político de peso no cenário do futebol mundial e fortalece significativamente a posição do atual presidente para o Congresso da Fifa previsto para 2027, quando o pleito deverá ser decidido.

O posicionamento da CAF não chega a ser uma surpresa para quem acompanha a política esportiva internacional. Desde que assumiu a presidência da Fifa em 2016, Infantino construiu uma relação estratégica com o continente africano, promovendo investimentos, ampliando o número de vagas em competições globais e dando maior protagonismo às federações da região em decisões institucionais.

O peso político da África no xadrez da Fifa

A CAF reúne 54 federações nacionais, o que a torna a maior confederação continental em número de membros dentro da Fifa. Em termos de votos no Congresso da entidade — onde cada federação tem direito a um voto, independentemente do tamanho ou da tradição futebolística do país —, o bloco africano é decisivo em qualquer eleição presidencial.

Para se ter dimensão, a Fifa conta atualmente com 211 federações filiadas. Isso significa que o apoio unânime da CAF garante a Infantino, de partida, cerca de 25% dos votos necessários para a reeleição. Trata-se de uma base eleitoral sólida que, combinada com o suporte de outras confederações, pode tornar a candidatura do ítalo-suíço praticamente imbatível.

Historicamente, o voto africano já foi determinante em eleições anteriores da Fifa. Em 2016, quando Infantino venceu o pleito contra o xeque Salman bin Ibrahim Al-Khalifa, o apoio de diversas federações africanas foi fundamental para consolidar sua vitória. Desde então, o dirigente tem reforçado laços com o continente por meio de programas de desenvolvimento, como o FIFA Forward, que destina recursos financeiros e técnicos a federações menores.

A relação Infantino-África: investimentos e contrapartidas

Entre as ações que pavimentaram essa aliança política, destacam-se:

  • Ampliação de vagas na Copa do Mundo: a partir da Copa de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, o continente africano contará com 9 vagas (e uma possível via repescagem), contra as 5 do formato anterior. Esse aumento foi uma das principais bandeiras de Infantino ao assumir a presidência.
  • Investimentos via FIFA Forward: o programa de desenvolvimento da Fifa destinou centenas de milhões de dólares a federações africanas para infraestrutura, formação de treinadores e desenvolvimento do futebol de base.
  • Copa do Mundo de Clubes expandida: o novo formato do Mundial de Clubes, com 32 equipes, abriu espaço para mais representantes africanos na competição, aumentando a visibilidade e a receita de clubes do continente.
  • Apoio institucional à CAF: a Fifa, sob a gestão de Infantino, manteve uma postura colaborativa com a CAF em momentos de crise institucional, incluindo a reestruturação da governança da confederação africana.

Essas ações criaram um ciclo de reciprocidade política que agora se materializa no apoio formal à reeleição.

O cenário para o pleito de 2027

A eleição presidencial da Fifa deverá ocorrer durante o Congresso da entidade em 2027. Até o momento, Infantino é o nome mais forte na corrida, e o apoio da CAF consolida essa posição de favoritismo. No entanto, o cenário político do futebol mundial é dinâmico e ainda pode apresentar novidades nos próximos meses.

Para que um candidato concorra à presidência da Fifa, é necessário obter o apoio formal de pelo menos cinco federações filiadas de pelo menos duas confederações diferentes. Com o bloco africano garantido, Infantino já supera esse requisito com ampla margem.

Possíveis adversários e desafios

Até o momento, não há candidatos formalmente anunciados para concorrer contra Infantino. Em eleições anteriores, o dirigente enfrentou críticas relacionadas a:

  • Concentração de poder: opositores apontam que Infantino acumulou influência excessiva dentro da Fifa, reduzindo o espaço para vozes dissonantes.
  • Calendário sobrecarregado: a expansão de competições — como a Copa do Mundo com 48 seleções e o Mundial de Clubes ampliado — gerou críticas de ligas, clubes e sindicatos de jogadores, que alegam sobrecarga no calendário esportivo.
  • Questões de governança: investigações e controvérsias envolvendo a gestão da Fifa continuam a gerar debates sobre transparência e ética na administração do futebol mundial.

Ainda assim, sem um adversário de peso no horizonte e com o apoio de confederações estratégicas, Infantino segue como amplo favorito para se manter no cargo.

O que isso significa para o futebol brasileiro e sul-americano

O apoio da CAF a Infantino também tem implicações indiretas para o futebol sul-americano. A Conmebol, sob a presidência de Alejandro Domínguez, mantém uma relação próxima com o atual mandatário da Fifa. A convergência de interesses entre as confederações pode influenciar decisões sobre:

  • Distribuição de vagas em futuras edições da Copa do Mundo;
  • Formato e calendário de competições internacionais;
  • Alocação de recursos do programa FIFA Forward para países sul-americanos;
  • Definição de sedes para eventos futuros da Fifa.

Para o futebol brasileiro, a continuidade de Infantino pode representar estabilidade nas regras do jogo político internacional, mas também levanta questões sobre a necessidade de maior pluralidade na governança do esporte.

Conclusão

O apoio unânime da Confederação Africana de Futebol à reeleição de Gianni Infantino é um movimento político significativo que reforça a posição do atual presidente da Fifa como favorito para o pleito de 2027. Com 54 votos garantidos e uma relação consolidada com o continente africano, Infantino parte de uma base eleitoral robusta que será difícil de superar. Os próximos meses serão decisivos para observar se surgirão candidaturas alternativas e como as demais confederações se posicionarão nesse xadrez político.

Acompanhe nosso blog para ficar por dentro das principais movimentações políticas do futebol mundial e entender como elas impactam o esporte que amamos.

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