Copa 20265 min de leitura·12 de julho de 2026

Ancelotti mira casos de sucesso para montar Brasil campeão em 2026

Carlo Ancelotti estuda modelos vencedores como Argentina de Scaloni e Itália de Mancini para devolver ao Brasil o protagonismo na Copa do Mundo 2026.


Ancelotti mira casos de sucesso para montar Brasil campeão em 2026

Carlo Ancelotti tem diante de si um dos maiores desafios de uma carreira já repleta de conquistas históricas: devolver ao Brasil o protagonismo em Copas do Mundo após mais de duas décadas sem título. O treinador italiano, que acumula cinco títulos da Champions League à frente de clubes europeus, agora precisa traduzir toda essa experiência para o universo das seleções — um ambiente com dinâmicas, prazos e pressões completamente diferentes.

Com a Copa do Mundo 2026 prevista para ter início em 11 de junho nos Estados Unidos, México e Canadá, o tempo de preparação se torna cada vez mais precioso. E é justamente nesse contexto que Ancelotti vem direcionando sua atenção para casos de sucesso recentes no futebol de seleções, buscando referências que possam ser adaptadas à realidade brasileira.

As lições da Argentina de Scaloni e da Itália de Mancini

Quando se fala em modelos vencedores recentes no futebol internacional, dois exemplos saltam aos olhos de analistas e estudiosos do jogo: a Argentina campeã mundial em 2022 e a Itália campeã da Eurocopa em 2021.

A seleção argentina comandada por Lionel Scaloni conseguiu algo que parecia improvável poucos anos antes do título no Catar: construir um grupo coeso, mentalmente forte e taticamente equilibrado ao redor da genialidade de Lionel Messi. Scaloni não se limitou a depender do craque; ele integrou jovens talentos como Enzo Fernández e Julián Álvarez ao elenco de forma orgânica, criando uma hierarquia clara sem sufocar a contribuição dos mais novos. O resultado foi um time que soube sofrer nos momentos difíceis e impor seu jogo quando a oportunidade aparecia.

Já a Itália de Roberto Mancini na Euro 2021 oferece uma lição diferente, mas igualmente valiosa. Sem contar com individualidades de nível estelar comparáveis às de outras potências europeias, Mancini apostou em uma identidade tática clara — posse de bola qualificada, pressing coordenado e espírito coletivo inabalável. Uma geração que muitos consideravam mediana foi transformada em campeã europeia com base em trabalho tático, confiança mútua e uma cultura de grupo muito bem estabelecida.

Para Ancelotti, ambos os casos trazem ensinamentos aplicáveis. Do modelo argentino, a capacidade de equilibrar estrelas consagradas com jovens famintos por protagonismo. Do modelo italiano, a importância de uma identidade tática definida que dê segurança ao grupo independentemente do adversário.

O elenco brasileiro: talento individual e desafios coletivos

Se há algo que não falta ao Brasil é talento individual. Nomes como Vini Jr., Rodrygo, Raphinha e Savinho representam uma geração ofensiva de altíssimo nível, com experiência em grandes clubes europeus e em decisões de alto calibre. Vini Jr., em particular, consolidou-se como um dos melhores jogadores do mundo nos últimos anos, e deve ser a principal referência técnica da Seleção na Copa.

Além desses nomes, existe a incógnita Neymar. O camisa 10, que tenta provar condições físicas no Santos após um longo período marcado por lesões, representa tanto uma possibilidade de acréscimo gigantesco quanto um risco de gestão de elenco. Ancelotti, que ao longo da carreira demonstrou habilidade ímpar para lidar com egos e expectativas em vestiários estrelados, terá de avaliar com cuidado o custo-benefício de incluir Neymar em seus planos.

No entanto, o grande desafio do treinador italiano não está no setor ofensivo. Historicamente, o que faltou ao Brasil nas últimas edições da Copa do Mundo foi solidez defensiva e equilíbrio tático. As eliminações recentes expuseram fragilidades na transição defensiva, na recomposição do meio-campo e na capacidade de manter a organização sob pressão em jogos eliminatórios. São exatamente esses os pontos que Ancelotti precisará endereçar com prioridade.

A estratégia do italiano, segundo indicam as análises mais recentes, passa por definir um sistema tático que maximize as qualidades ofensivas do elenco sem comprometer a estrutura defensiva. No Real Madrid, Ancelotti demonstrou ser um mestre nesse equilíbrio: times ofensivamente devastadores, mas com linhas de marcação bem definidas e jogadores comprometidos com o trabalho sem bola.

O desafio do tempo: preparação em ritmo de seleção

Um dos fatores que mais diferenciam o trabalho em clubes do trabalho em seleções é o tempo. Enquanto em um clube o treinador convive diariamente com seus jogadores ao longo de uma temporada inteira, em seleções os períodos de preparação são curtos e espaçados. Isso exige do técnico uma capacidade de comunicação excepcionalmente objetiva e uma metodologia de treinamento que priorize conceitos essenciais em detrimento de detalhes secundários.

A preparação da Seleção Brasileira, confirmada pela CBF para as próximas semanas, deve ser o primeiro teste real de Ancelotti para implementar suas ideias com o grupo. Esses dias de trabalho serão fundamentais para que o treinador estabeleça a base tática, defina hierarquias dentro do elenco e, principalmente, construa a conexão emocional com os jogadores — algo que ele sempre fez com maestria nos clubes por onde passou.

Ancelotti é conhecido por sua liderança tranquila, quase paterna, que inspira confiança sem impor medo. No Real Madrid, essa abordagem foi decisiva para extrair o melhor de jogadores com personalidades fortes e egos elevados. Replicar essa fórmula na Seleção Brasileira, onde a pressão midiática e popular é ainda mais intensa do que em qualquer clube do mundo, será um teste de adaptação importante.

Favoritismo e expectativas para a Copa 2026

Se Ancelotti conseguir implementar com sucesso a combinação de fatores que marcou sua carreira — adaptação tática ao elenco disponível, gestão emocional inteligente e liderança serena nos momentos de pressão —, o Brasil tem tudo para figurar entre os grandes favoritos ao título da Copa do Mundo 2026.

O torneio, que será disputado em três países pela primeira vez na história, trará desafios logísticos e climáticos adicionais. As longas distâncias entre sedes, as diferenças de altitude e temperatura e o formato expandido com 48 seleções exigirão dos treinadores uma capacidade de gestão de elenco ainda mais refinada. Nesse aspecto, a experiência acumulada por Ancelotti em décadas de carreira no mais alto nível pode ser um diferencial decisivo.

É claro que favoritismo não garante título. A história das Copas do Mundo é repleta de exemplos de seleções amplamente favoritas que sucumbiram diante de adversários menos badalados, mas mais bem preparados coletivamente. Ancelotti sabe disso — e é justamente por isso que está olhando para os modelos de Scaloni e Mancini, treinadores que provaram que organização, identidade e espírito de grupo podem superar qualquer superioridade individual.

Conclusão

O caminho para devolver ao Brasil o tão sonhado título mundial passa por uma combinação de talento, estratégia e coesão que poucos treinadores no mundo têm a capacidade de orquestrar. Carlo Ancelotti reúne as credenciais necessárias para essa missão, mas o sucesso dependerá de sua habilidade em adaptar a experiência dos clubes à realidade das seleções em um prazo relativamente curto. As próximas semanas de preparação serão decisivas para indicar se o projeto está no caminho certo.

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